Durante o "Seminário Reforma Política Já", realizado pela TV Cultura e pela Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB/SP), no último dia 29 de janeiro, em São Paulo, Silvio Caccia Bava, editor chefe do Jornal Le Monde Diplomatique Brasil, apresentou sua visão sobre o financiamento das campanhas eleitorais brasileiras.
Ele evidencia o crescente poder das grandes corporações multinacionais diante dos Estados nacionais. Toma como marco temporal de sua análise a criação da Lei 9.504 de 1997, que, ao contrário da Lei orgânica dos partidos de 1965, permite o financiamento de
campanhas eleitorais por empresas. A partir daí, baseado em dados do TSE, ele levanta os custos globais das campanhas eleitorais subsequentes: 800 milhões de reais em 2002, 4,9 bilhões em 2010 e 5,1 bilhões em 2014.
campanhas eleitorais por empresas. A partir daí, baseado em dados do TSE, ele levanta os custos globais das campanhas eleitorais subsequentes: 800 milhões de reais em 2002, 4,9 bilhões em 2010 e 5,1 bilhões em 2014.
Além disso, Caccia Bava apresenta os valores médios para se eleger deputados federais, senadores e governadores no Brasil:1,1 milhão, 4,5 milhões e 23,1 milhões, respectivamente.
Segundo o sociólogo do Le Monde, diante desses números, o jogo político sai do âmbito público e passa para esfera privada, onde a capacidade de captação de financiamentos supera a livre adesão popular a propostas e programas de governo.
Caccia Bava enumerou ainda as várias bancadas ligadas a setores de negócio que se apropriaram do Congresso Nacional. Nesta perspectiva, segundo ele, o interesse público passa a ser subsumido pelo interesse privado.
Por último, ele mostra a fragilidade desse modelo de financiamento eleitoral, citando uma pesquisa do Instituto Kellogg de 2011, o qual demonstra como cada 1 real investido em campanha eleitoral no Brasil, oferece um retorno de 8,5 reis em obras públicas para o empreiteiro investidor.
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