sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A Indústria da Privatização na Europa




Um relatório publicado em Amsterdã pelo Transnational Institute, em fevereiro de 2016, apresenta revelações intrigantes sobre o processo de privatização ocorrido na Europa em 2013. O relatório abarca um estudo sobre a privatização em 7 países Europeus: Grécia, Irlanda, Reino Unido, Espanha, Portugal, Itália e a ilha de Chipre. Transcrevo abaixo um um resumo das conclusões apresentadas no relatório.

O raciocínio apresentado pelos defensores da privatização não resiste às evidências. A privatização tem sido justificada com base no fornecimento de receitas para os Estados endividados e visando aumento da eficiência. No entanto, em quase todos os casos, apenas as empresas lucrativas estão sendo vendidas e consistentemente a preços subvalorizados. Enquanto isso, as pesquisas do FMI e das Universidades europeias mostram que não há evidências de que as empresas privatizadas sejam mais eficientes. Em vez disso, as privatizações têm minado os salários, enfraquecido as condições de trabalho e causado crescente desigualdade de renda.

Um pequeno grupo de empresas de consultoria jurídica e financeira está obtendo lucros significativos com a nova onda de privatizações impulsionadas pela crise. Estes incluem os consultores financeiros e jurídicos e as empresas de contabilidade. Estes atores são defensores ativos da privatização em toda a Europa e beneficiaram-se do negócio altamente lucrativo, ganhando contratos no valor de milhões de euros.

Vários dos principais atores empresariais estiveram envolvidos tanto em aconselhar sobre a privatização como em aproveitar o resultado de seus conselhos. Por exemplo, a agência de assessoria Lazard foi a principal consultora financeira para a privatização do Royal Mail, influenciando assim diretamente a fixação dos preços para o processo, mas sua agência de gestão de ativos foi uma das 16 empresas a receber status de investidor prioritário. Isso permitiu à empresa realizar um lucro de 8 milhões de libras de compra e, em seguida, revendendo ações.

Apesar da retórica a favor da gestão privada, muitos dos que ganham concessões e compram ativos das empresas privatizadas são empresas estatais. Empresas estatais chinesas, por exemplo, tornaram-se agentes dominantes na compra de empresas europeias de energia, comprando participações em serviços públicos portugueses, gregos e italianos. As empresas estatais alemãs e azerbaijanas também estão envolvidas na compra de ativos privatizados em outros países europeus.

A privatização na Europa incentivou o crescimento da corrupção, com casos de nepotismo e conflitos de interesses muito frequentes. Na Grécia, isso levou a constantes escândalos no HRADF, principal órgão responsável pela privatização, com três membros do Conselho de Administração da HRADF sendo acusados de corrupção pelo Corruption Magistrate. Casos semelhantes surgiram na Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido.

Veja o estudo na íntegra no site do Transnational Institute .

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Confessions of an Economic Hit Man

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John Perkins autor do livro autobiográfico Confessions of an Economic Hit Man, relata em forma de entrevista o conteúdo de seu livro em Zeitgeist Addendum, documentário de 2008 dirigido por Peter Joseph, cujo o trecho específico postamos aqui. Perkins fala de sua experiência como consultor da empresa Chas. T. Main, onde atuou como assassino econômico pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Em sua atuação, Perkins manipulou recursos financeiros do Banco Mundial, da Agência Internacional Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), entre outras organizações, fraudando estudos econômicos para garantir que países estratégicos para os Estados Unidos contraíssem dívidas que não teriam condições de quitar. Desse modo os países endividados se veriam obrigados a se submeter às condições dos credores, tais como, redução de custos com políticas públicas voltadas para saúde e educação, privatizações e liberalização da economia.

Duração: 29 minutos.
Diretor: Peter Joseph.